Legislação da União Europeia sobre testes em produtos cosméticos: a realidade por trás da lei de 2026

O NIH marca uma virada na ciência biomédica ao priorizar modelos humanos em detrimento do uso de animais na pesquisa.

Leia também: A União Europeia proibiu a venda de microplásticos em produtos de consumo. O que isso significa para as rotinas de maquiagem?

O grande conflito: a Lei dos Cosméticos x o Regulamento REACH

Em teoria, o Regulamento (CE) nº 1223/2009 proíbe os testes em animais para produtos cosméticos, como cremes, maquiagem ou perfumes, e seus ingredientes. O problema surge quando essa lei entra em conflito direto com outra regulamentação europeia mais rigorosa, o REACH (Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de substâncias químicas).

O REACH regulamenta os riscos que as substâncias químicas podem causar ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores das fábricas. Aproveitando-se disso, a Agência Europeia para as Substâncias e Misturas Químicas (ECHA) utilizou o regulamento para exigir novos testes em animais para ingredientes utilizados exclusivamente na indústria cosmética.

O ponto de inflexão definitivo foi o caso Symrise, que ganhou grande repercussão na mídia. Quando a ECHA ordenou que esse fabricante alemão realizasse testes em animais para ingredientes de protetores solares, a empresa recorreu aos tribunais europeus. Infelizmente, a justiça decidiu a favor da ECHA, estabelecendo um precedente jurídico perigoso que continua em vigor até hoje: o regulamento REACH está acima da Lei de Cosméticos.

Promessas paralisadas e burocracia 

A Iniciativa Cidadã Europeia “Save Cruelty Free Cosmetics” conseguiu reunir mais de 1,2 milhão de assinaturas exigindo o fim dessas práticas químicas. Diante dessa imensa pressão, em 2023 a Comissão Europeia prometeu elaborar um plano de ação para eliminar gradualmente os testes em animais. Além disso, esperava-se uma revisão completa da lei REACH para 2024.

As reformas esbarraram em uma barreira burocrática e em fortes pressões políticas por parte da indústria química. A revisão do REACH foi adiada e o “roteiro” continua avançando, lentamente, por meio de comitês e fases de consultas técnicas. Em resumo, os políticos continuam estudando como implementar a mudança, mas o vazio legal permanece e os animais continuam sendo utilizados em laboratórios europeus.

O mito do “Não testado em animais” por lei

Na prática, diversas marcas fabricadas na União Europeia se valem da legislação local para alegar que seus produtos são livres de crueldade e optam por não se submeter a um processo oficial de certificação, o que gera dois problemas graves: por um lado, o risco químico, já que, sem uma certificação independente, a marca não tem como garantir que seus fornecedores de ingredientes não tenham sido obrigados a realizar testes em animais por exigência da ECHA e do regulamento REACH; e, por outro lado, o mercado global, já que o fato de uma empresa afirmar que não realiza testes em animais na Europa não a impede de vender esses mesmos produtos em outros países onde as regulamentações estrangeiras ainda exigem esse tipo de teste para a comercialização.

A certificação é nossa única garantia

Os produtos cosméticos são controlados em várias etapas: autorização sanitária, fiscalização do cumprimento da norma e vigilância pós-autorização do registro.

Cada regulamentação estabelece seu próprio procedimento para conceder a autorização sanitária e supervisionar seu cumprimento. Além disso, as proibições de testes em animais para fins cosméticos levam em consideração as etapas de adaptação do mercado e a atualização dos processos para ajustar a norma existente a essa nova incorporação, por meio das disposições correspondentes para a adequação legal.

As leis estabelecem que as empresas devem garantir seu cumprimento e, em caso de infração, podem receber sanções. As proibições de testes em animais também exigem atualizações legais e adaptações do mercado.

O valor da certificação: respaldo ético e técnico

A legislação europeia foi um grande impulsionador para motivar a comunidade científica a desenvolver métodos alternativos (in vitro, culturas celulares, simulações computacionais), mas suas exceções legais nos mostram que a promessa de 2013 foi quebrada. Como sempre lembramos em Te Protejo, o selo de uma organização oficial é a única forma de garantir que um produto, e toda a sua cadeia de produção, esteja livre de crueldade. Sua decisão de compra consciente impulsiona a mudança rumo a uma ciência moderna, ética e sem sofrimento.

Se você quiser se aprofundar em como a tecnologia atual está substituindo os experimentos em animais e aprender mais sobre essas incríveis inovações, convidamos você a conhecer  os métodos alternativos in vitro e in silico e descobrir o futuro da cosmética ética. Optar por marcas livres de testes em animais é uma das ações mais diretas e eficazes para exigir um mercado ético. Para facilitar esse processo e garantir que as decisões de compra sejam baseadas em informações verificadas, o site Te Protejo disponibiliza ao público seus diretórios atualizados de marcas certificadas.

Anterior
Anterior

Os cosméticos coreanos são realmente livres de crueldade?

Próximo
Próximo

Liberte-se da Crueldade: O poder da sociedade civil que impulsionou o fim dos testes em animais na indústria de cosméticos no Brasil