Os cosméticos coreanos são realmente livres de crueldade?

Nos últimos anos, os cosméticos coreanos (conhecidos mundialmente como K-Beauty) conquistaram os corações de milhões de pessoas. No entanto, quando se trata de proteção animal, surge uma grande dúvida: esses produtos são realmente livres de testes em animais?

Para compreender o panorama atual, precisamos voltar um pouco no tempo e analisar como a legislação sul-coreana tem evoluído, os marcos alcançados e, sobretudo, as lacunas jurídicas que ainda persistem em sua legislação.

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Um marco na Ásia: o início da mudança

Em março de 2015, o governo da Coreia do Sul deu um grande passo ao propor uma legislação para proibir os testes em animais na fabricação e venda de alguns produtos cosméticos, reconhecendo oficialmente a eficácia dos métodos alternativos. No final daquele mesmo ano, foi aprovada a lei que proibia parcialmente essas práticas.

Após anos de trabalho árduo, colaboração e acompanhamento por parte de organizações como a Cruelty Free International e autoridades como o Ministério da Segurança Alimentar e Medicamentos (MFDS), a regulamentação entrou em vigor em 2018. Esse avanço transformou a Coreia do Sul no segundo país da Ásia a restringir os testes em animais, seguindo os passos da Índia.

Na época, defensores dos direitos dos animais e porta-vozes internacionais comemoraram essa conquista como uma mensagem extremamente positiva para o resto do mundo, demonstrando que, quando os governos dão atenção à ciência ética, a mudança é possível.

O que diz a lei sul-coreana?

O Artigo 15-2 da Lei dos Cosméticos estabelece uma proibição geral quanto à distribuição ou venda de cosméticos e suas matérias-primas que tenham sido submetidos a testes em animais. No entanto, o grande desafio dessa regulamentação reside em suas exceções, uma vez que a lei permite a realização de testes em animais quando se trata de ingredientes com restrições específicas de uso, como conservantes, corantes ou filtros solares, que representem possíveis riscos à saúde pública. 

Além disso, essas práticas são autorizadas quando o MFDS determinar que não existe uma alternativa científica validada à experimentação em animais, ou quando os testes forem um requisito obrigatório do país para o qual se deseja exportar o produto. Por fim, a regulamentação também não se aplica nos casos em que as matérias-primas utilizadas tenham sido desenvolvidas e testadas de acordo com normas de outras áreas alheias à cosmética.

Quais elementos não estão previstos na regulamentação?

A legislação de cada país regula apenas o que ocorre dentro de seu próprio território, o que deixa de fora muitos aspectos importantes. Por exemplo, diversos ingredientes podem ser provenientes do exterior e estar sujeitos a regulamentações diferentes. Além disso, existem tratados internacionais que facilitam o comércio entre países com legislações opostas, permitindo que coexistam normas que proíbem os testes em animais com outras que os exigem. Por isso, mesmo que uma marca não realize testes em um país como a Espanha, ela pode comercializar seus produtos em territórios onde a legislação os exige, como ocorre na China para certos cosméticos.

As lacunas legais em 2026

Ao analisar essas exceções, fica evidente que a legislação sul-coreana não constitui uma proibição total. Existem importantes lacunas legais que afetam diretamente o setor de K-Beauty atualmente. Se uma marca sul-coreana deseja exportar e vender seus produtos em mercados internacionais que exigem testes de segurança tradicionais, a legislação da Coreia do Sul permite que ela realize esses testes. Embora as regulamentações estrangeiras tenham se tornado mais flexíveis recentemente para “cosméticos gerais”, muitos produtos de “uso especial” (como protetores solares ou tratamentos cosméticos) ainda correm o risco de serem submetidos a testes.

Ao contrário da União Europeia, onde se presume que as empresas tenham acesso a ingredientes historicamente seguros, a legislação na Coreia só aplica a proibição se o MFDS aceitar formalmente o teste alternativo. Historicamente, as autoridades sul-coreanas têm demorado a aceitar métodos opcionais (aprovados pela OCDE) para testes de irritação ocular, toxicidade ou sensibilidade cutânea.

Várias organizações de proteção aos animais continuam lutando ativamente até hoje para eliminar essas lacunas, exigindo que as autoridades de saúde validem os métodos científicos alternativos e eliminem completamente o uso de animais em laboratórios.

A certificação é a única garantia real

Saber tudo isso nos leva a uma reflexão importante: embora a legislação sul-coreana tenha representado um grande avanço, infelizmente os cosméticos da K-Beauty não estão, por padrão, totalmente livres de crueldade. Fazemos um apelo aos governos e à população para que exijam um compromisso verdadeiro com a ciência e a pesquisa ética, pois esse é o único caminho real e moral.

Hoje, mais do que nunca, enfatizamos a importância da certificação oficial. É a única maneira de garantir que todo o processo de um produto, desde seus ingredientes e fornecedores até o resultado final e sua exportação, tenha sido realizado sem causar sofrimento. Felizmente, existem opções maravilhosas de K-Beauty no mercado que obtiveram selos oficiais. Para conhecê-las, confira nossa lista de marcas livres de crueldadee descubra alternativas que têm um compromisso inabalável com os consumidores e os animais.

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