artigos |Postado em 17-02-2023

A luta contra a desigualdade de gênero

As diferenças sociais, econômicas, políticas, religiosas e culturais perpetuaram a falta de igualdade de oportunidades e direitos para as mulheres, posicionando-as diretamente como cidadãs de segunda classe. Este fato busca ser erradicado pelos Estados membros da ONU, incluindo-o em sua Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável e garantindo a proteção de seus direitos humanos.

Ao longo da vida, a desigualdade de gênero tem sido histórica. Desde a infância, as identidades, oportunidades e experiências das mulheres foram desfavorecidas devido ao seu género, agravando-se ainda mais se forem consideradas as condições de pobreza, as normas sociais e o local de residência.

Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a América Latina e o Caribe são as regiões com maior desigualdade, discriminação e violência contra mulheres, crianças e adolescentes. No entanto, seja em nível superior ou inferior, a desproporção de oportunidades e a violação dos direitos das mulheres ultrapassam fronteiras, tornando-se um fenômeno global, uma vez que o machismo acaba sendo sistemático.

A igualdade como tal é díspar e heterogênea. Um reflexo disso é que em 18 países ao redor do mundo, os homens podem legalmente impedir que suas esposas trabalhem; que em 39 filhas e filhos não têm os mesmos direitos à herança e que em 49 partes do mundo não existe legislação que proteja as mulheres da violência doméstica, segundo relatório da Biblioteca do Congresso Nacional do Chile (BCN). Da mesma forma, estima-se que uma em cada cinco mulheres e meninas tenha sofrido violência física ou sexual, assim como 750 milhões de mulheres e meninas em todo o mundo se casaram antes dos 18 anos e, pelo menos, 200 milhões de mulheres e meninas em 30 países foram submetidas à mutilação genital feminina (MGF). Somam-se a isso os feminicídios, práticas nocivas, assédio sexual em espaços públicos, cyberbullying, entre outras formas de violência de gênero.

Esta situação dificulta não só os direitos humanos, mas também o desenvolvimento e o progresso social que beneficia a humanidade. Por isso, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) integrou o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 5 Igualdade de Gênero à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

ODS Igualdade de Gênero

Este objetivo visa reduzir e acabar com todos os tipos de discriminação contra meninas e mulheres, incentivando as autoridades registradas nesta resolução a tomarem medidas públicas para protegê-las e zelar por seus direitos humanos. Da mesma forma, empoderar as mulheres desde a infância, fortalecendo seus conhecimentos sobre liberdade e informação para a tomada de decisões em suas próprias vidas.

O referido ODS é implantado em vários objetivos, resumidos aqui:

 Acabar com a discriminação contra as mulheres.
 Eliminar formas de violência e práticas nocivas.
 Reconhecer o trabalho não remunerado.
 Assegurar a plena participação das mulheres e a igualdade de oportunidades.
 Garantir o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva.
 Empreender reformas que concedam às mulheres o direito aos recursos econômicos em igualdade de condições.
 Melhorar o uso de tecnologias facilitadoras, particularmente tecnologias de informação e comunicação, para promover o empoderamento das mulheres.
 Adotar e fortalecer políticas sólidas e leis aplicáveis para promover a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas em todos os níveis.

A igualdade de gênero é um desafio que exige a reversão das diferenças sociais e o desenvolvimento de mudanças econômicas, políticas e culturais. Criar políticas públicas, legislar e fiscalizar a execução dessas medidas desde uma perspectiva de gênero. Por outro lado, a nível social, é fundamental aumentar a consciencialização para este facto e promover mudanças comportamentais nas relações interpessoais e sociais no âmbito do desenvolvimento de competências em igualdade de condições, através do compromisso, tolerância e respeito.

Em suma, na ONG Te Protejo é relevante nos posicionarmos como agentes de mudança neste objetivo, sendo uma comunidade maioritariamente constituída por mulheres. Da mesma forma, contribuir para a sociedade e seu desenvolvimento sustentável são essenciais para estabelecer condições de igualdade, construir relações sociais de qualidade e garantir um ambiente seguro e saudável para as gerações futuras e, finalmente, fazer isso a partir de uma perspectiva interseccional será a chave para gerar um impacto maior diretamente nas comunidades em que operamos como organização.

Fontes: