VITROFEM da LIALT: Teste alternativo de irritação vaginal
Os produtos de higiene íntima têm sido tradicionalmente avaliados por meio de métodos que apresentam limitações tanto éticas quanto científicas. Nesse contexto, surge o VITROFEM, um modelo in vitro de tecido vaginal humano desenvolvido pela LIALT, que permite avaliar a segurança e a eficácia desses produtos sem recorrer ao uso de animais.
O que são produtos para higiene íntima?
Os produtos para higiene íntima são itens destinados ao cuidado e à higiene da região genital. Incluem géis de limpeza, lenços umedecidos, espumas, loções, cremes, lubrificantes, protetores diários, absorventes internos, entre outros. São formulados para manter o pH, prevenir infecções e proporcionar uma sensação de frescor, embora nem todos sejam necessários ou recomendados, segundo especialistas em ginecologia.
Como se trata de produtos desenvolvidos para uma área sensível, seu desenvolvimento exige altos padrões de segurança. No entanto, antes de chegarem ao mercado, muitos deles foram avaliados por meio de testes in vivo, ou seja, em animais.
Entre esses testes está o teste de irritação vaginal, que consiste na aplicação repetida de substâncias no interior da vagina de animais, como coelhas, para observar possíveis efeitos, como inflamação, irritação ou infecção. Posteriormente, os animais são sacrificados para a realização de análises histológicas.
Essas práticas têm sido alvo de críticas tanto éticas quanto científicas, devido às diferenças fisiológicas entre a anatomia vaginal das coelhas e a das pessoas. Além disso, muitos dos produtos avaliados não correspondem a usos próprios desses animais, como lubrificantes, espermicidas ou absorventes higiênicos, o que limita a validade dos resultados. A isso somam-se as diferenças nos ciclos reprodutivos entre as espécies, tanto em termos de duração quanto de respostas biológicas.
Por outro lado, existe uma lacuna histórica na pesquisa sobre saúde vaginal e uterina, o que tem contribuído para o uso de modelos pouco representativos e, em alguns casos, baseados em informações desatualizadas. Essas limitações podem resultar em avaliações que não refletem adequadamente os efeitos nas pessoas, o que reforça a necessidade de avançar em direção a métodos mais precisos.
Nesse contexto, surgiram modelos in vitro que reproduzem o tecido vaginal humano, oferecendo alternativas mais éticas e com maior relevância científica para avaliar a segurança dos produtos de higiene íntima. Entre esses avanços, destaca-se o trabalho do Laboratório de Pesquisa Alternativa (LIALT), que desenvolveu o VITROFEM como uma proposta inovadora nessa área.
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O que é o VITROFEM e o que ele oferece?
O VITROFEM é um modelo in vitro que recria o tecido vaginal humano em três dimensões sem o uso de animais. Esse sistema permite avaliar a irritação, a toxicidade e a segurança de produtos de higiene íntima de forma ética e com maior relevância científica, reduzindo os riscos associados à extrapolação de resultados obtidos em outras espécies.
O modelo utiliza células do epitélio vaginal e fibroblastos humanos para reconstruir um tecido tridimensional que imita de forma mais fiel o ambiente biológico real. Por meio dessas técnicas, ele se posiciona como uma alternativa segura, reproduzível e alinhada com o desenvolvimento de métodos livres de testes em animais para o teste de irritação vaginal.
Como funciona o VITROFEM?
O modelo utiliza células epiteliais humanas primárias, obtidas a partir de amostras aprovadas eticamente. Essas células desempenham um papel fundamental como barreira protetora, revestindo órgãos e cavidades, e permitem estudar processos como a inflamação, a regeneração tecidual e os mecanismos de defesa. Em condições de cultura, elas têm a capacidade de se estratificar e formar um epitélio multilaminar, o que facilita a reprodução mais fiel do microambiente vaginal.
Para aumentar a complexidade e a representatividade do modelo, são incorporados fibroblastos humanos, células essenciais para a síntese de colágeno e outros componentes da matriz extracelular. Sua presença permite recriar um estroma funcional que transmite sinais bioquímicos e mecânicos, influenciando diretamente a diferenciação e o equilíbrio do epitélio.
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Para verificar se o modelo reproduz adequadamente o epitélio vaginal humano, é realizado um ensaio imunocitoquímico por meio de marcadores específicos de diferenciação epitelial. Nesse processo, são utilizadas citoqueratinas como a CK14 e a CK18, proteínas que permitem identificar diferentes tipos de células epiteliais. A CK14 está presente nas células basais da camada mais profunda do epitélio vaginal, responsáveis pela regeneração do tecido.
Em contrapartida, a CK18 está associada a epitélios simples, como os do intestino ou do fígado, e não deveria ser expressa no epitélio vaginal. No VITROFEM, as células apresentam expressão de CK14 e não de CK18, o que indica uma diferenciação correta e uma representação adequada do tecido vaginal humano.
Essa análise corrobora a validade do modelo como ferramenta experimental, permitindo avaliar de forma não invasiva produtos ginecológicos, probióticos, medicamentos de uso local e estudos microbiológicos, em consonância com o princípio das 3R.
Ao analisar a viabilidade celular e possíveis respostas, como inflamação ou dano tecidual, o VITROFEM permite substituir testes em animais, promovendo métodos mais éticos e com maior relevância científica. Dessa forma, ele se posiciona como uma alternativa eficaz para avaliar a segurança e a eficácia de produtos de higiene íntima sem recorrer ao uso de animais.
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O desenvolvimento de modelos como o VITROFEM reflete como a inovação científica pode avançar em conjunto com critérios éticos na avaliação de produtos de uso cotidiano. Escolher produtos de marcas comprometidas com esses padrões também permite contribuir para uma indústria mais responsável.

