Os efeitos da crise climática na América Latina e seu impacto na fauna local
Em nível mundial, as mudanças climáticas têm causado estragos de diversa magnitude, prejudicando o meio ambiente, bem como a vida humana e animal. Esse fenômeno tem sido impulsionado por diversas atividades, como o uso excessivo de maquinário poluente, a exploração desmedida dos ecossistemas, a produção de moda rápida (fast fashion) e a indústria alimentícia baseada em laticínios e produtos cárneos.
Esta última é considerada uma das atividades mais destrutivas para o planeta. De acordo com estudos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a pecuária é uma das principais fontes de gases de efeito estufa. O metano representa aproximadamente 20% dessas emissões globais e retém 25 vezes mais calor na atmosfera do que o dióxido de carbono. Estima-se que a produção de 100 gramas de carne bovina emita 20 vezes mais gases de efeito estufa do que a produção de 100 gramas de um hambúrguer à base de proteína vegetal.
Devido à pecuária intensiva, estima-se que pelo menos 77% das terras agrícolas sejam destinadas à alimentação e criação de animais para consumo. De fato, a pecuária em excesso é a principal causa do desmatamento da Amazônia, representando 80% do desmatamento atual. Somente entre 2020 e 2024, a região registrou um aumento de 8% em seu rebanho bovino. A isso se soma o uso de altos níveis de pesticidas e fertilizantes químicos que se infiltram no solo e nos cursos d’água, ameaçando diretamente a vida selvagem local. No que diz respeito ao estresse hídrico, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alerta que são necessários 15.000 litros de água para produzir um quilo de carne, contra os 1.500 litros necessários para produzir um quilo de grãos. No total, a agricultura e a pecuária consomem 70% dos recursos hídricos disponíveis no mundo. Embora os especialistas insistam na necessidade de transformar os sistemas alimentares para combater a crise, as ações das grandes indústrias continuam destruindo os ecossistemas em nível global.
Imagem: Depositphotos
O impacto das mudanças climáticas na América Latina: Brasil e México
As catástrofes causadas pelo aquecimento global deixaram uma marca profunda na região. Um exemplo trágico ocorreu em meados de 2024, quando o estado brasileiro do Rio Grande do Sul enfrentou uma das piores enchentes de sua história. As chuvas incessantes fizeram com que o Lago Guaíba, em Porto Alegre, transbordasse de seus diques de contenção. O desastre afetou mais de dois milhões de pessoas, causando mais de 160 mortes e um grande número de desaparecidos e feridos.
A situação para os animais foi igualmente devastadora. Embora as equipes de resgate tenham conseguido salvar mais de 12 mil animais, o número de mortes entre os animais explorados pela indústria alimentícia foi altíssimo. Como a região é uma importante produtora de carne de frango, carne suína e laticínios, a perda dessas vidas sensíveis foi contabilizada, em grande parte, apenas como uma perda econômica.
Por outro lado, o México sofreu as consequências cruéis de ondas de calor extremas durante esse mesmo período, registrando temperaturas superiores a 45 °C em estados como Tabasco e Chiapas. Esse fenômeno afetou drasticamente espécies vulneráveis, entre elas os macacos-uivadores (saraguatos), uma espécie em risco de extinção. Durante a emergência, centenas de primatas caíram das árvores devido a casos graves de desidratação. A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat) confirmou a morte de mais de 150 exemplares, o que obrigou as autoridades a instalar unidades móveis de socorro e bebedouros de água. Esses fatos alertam que, à medida que o aquecimento global avança, os planos de contingência exigem esforços maiores para lidar com emergências climáticas cada vez mais intensas.
Leia também: Mapa de laboratórios alternativos na América Latina
Imagem: Depositphotos
O desaparecimento das geleiras na Venezuela
A crise ambiental também resultou em um triste recorde continental: a Venezuela se tornou o primeiro país da América a perder todas as suas geleiras. Em maio de 2024, a Iniciativa Internacional sobre o Clima da Criosfera (ICCI) confirmou que a última geleira do país, conhecida como La Corona ou Humboldt (localizada no Parque Nacional da Sierra Nevada), reduziu-se a uma massa de gelo tão pequena que perdeu oficialmente seu status de geleira.
O derretimento havia se acelerado abruptamente desde 2016. Pesquisas revelaram que, entre 2019 e o final de 2023, essa massa de gelo perdeu 50% de sua superfície. Os cientistas alertam que esse padrão pode se repetir, estimando que países como México, Colômbia e Equador possam ficar sem geleiras até o ano de 2050. O desaparecimento dessas massas de gelo representa um risco iminente, não apenas pela perda de reservas de água doce, mas também porque elas são fundamentais para a regulação climática do planeta.
Imagem: Depositphotos
A hora de agir é hoje
A crise global exige que tomemos medidas imediatas para evitar repercussões irreversíveis e garantir um futuro propício para a vida animal e as gerações futuras. O aquecimento global é uma realidade inegável que exige uma transformação urgente. Cada pessoa tem o poder de proteger o planeta por meio de decisões cotidianas. Tomar consciência e agir é a ferramenta mais eficaz para conter essa emergência. Para gerar uma mudança real a partir da rotina diária, é fundamental:
Optar por uma alimentação à base de vegetais, reduzindo drasticamente o consumo de carne e laticínios.
Reduzir o consumismo, apoiando a economia circular por meio da reutilização e da reciclagem, e dando uma segunda vida às peças de roupa.
Dar preferência a meios de transporte menos poluentes, como a bicicleta ou o transporte público elétrico.
Escolher produtos éticos, dando preferência a cosméticos e itens de higiene pessoal certificados como livres de crueldade contra animais (cruelty free).
A transformação rumo a um mundo sustentável começa com a vontade de cada um. Cada ação, por menor que pareça, tem um impacto direto na preservação da biodiversidade! (Confira nossa lista aqui).

