Dicas |Postado em 11-10-2022

Conheça o conceito do Fast Homeware

Um problema socioambiental que precisa de mais atenção! Saiba aqui o que significa e quais as suas repercussões ambientais.

Provavelmente você já conhece o termo fast fashion. Muito se fala sobre ele e todos os impactos sociais e ambientais que traz. Porém, pouco se discute sobre o fast homeware.

O fast homeware caminha na mesma linha da moda. Trata-se da acelerada produção e consumo de bens de mobiliário e decoração que, na maioria das vezes, não respeita os processos e tão pouco preza pela qualidade. Tal prática tem forte impacto ambiental, assim como o fast fashion.

Pode-se dizer que com a pandemia a casa ganhou um novo olhar. O tempo passado dentro do lar e a ausência de vida social direcionou o foco para as questões de decoração, mobiliário e conforto. Quem não pintou uma parede, trocou um móvel ou desejou uma ilha na cozinha nos moldes dos programas americanos que atire a primeira pedra.

Todo este destaque para a casa não ganhou apenas espaço na vida particular, mas também nas redes sociais. Os feeds foram inundados por mudanças decorativas, reformas e cantinhos do café.

De acordo com pesquisa realizada pela Nuvem Shop, o e-commerce de decoração obteve crescimento gigantesco. O aumento foi de 300% entre 2019 e 2021. As redes sociais, mais uma vez, têm papel importante. Pesquisa realizada em 2020 pelo Ibope apontou que mais de 40% dos entrevistados afirmaram consumir vídeos de tutorias de decoração. Ademais, redes como Instagram, Pinterest e Tik Tok são responsáveis por ter forte influência, sendo consumidas também para obter inspirações na área.

Investir em decoração da casa não é um problema. Afinal, é realmente agradável deixar o local onde se vive o mais aconchegante possível. O problema está no consumo impulsivo e desenfreado de artigos pensados para uma necessidade imediata, os quais não possuem durabilidade, qualidade, atenção e respeito ao processo de produção.

A Prefeitura de São Paulo aponta que 56 toneladas de estofados abandonados são retirados das ruas em um mês. É um número alarmante. Geralmente, o descarte incorreto dos itens de decoração e mobiliário ocorre por desconhecimento e falta de informações. Além disso, as iniciativas voltadas para os processos de reaproveitamento e reciclagem não são suficientes para dar conta de todos os produtos que acabam no lixo. Segundo dados do Ipea, somente 13% dos resíduos sólidos do país são reciclados.

Ações em prol de um consumo de itens de decoração mais sustentável precisam ser tomadas com urgência. É de extrema importância a conscientização de todos que fazem parte desta cadeia, desde fornecedores, passando por marcas, profissionais e consumidores.

Algumas alternativas podem ser tomadas para amenizar este grande problema. Saiba quais são elas:

Locais de descarte correto

É o básico, mas não está sendo feito. Procure em sua cidade pelos locais corretos para descartar eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e tintas. No site da Ecycle é possível encontrar boas informações sobre isso.

Doação e Reuso

Móveis em bom estado de conservação podem ser doados e reaproveitados, aumentando assim a vida útil do item. Instituições como o Exército da Salvação e tantas outras que operam em cidades específicas (pesquise em sua localidade) são ótimas opções para se fazer doações.

Repaginar

Enjoou de algum item? Coloque a mão na massa e dê uma nova cara ao produto. Não faltam tutorias ensinando reformas. Exercite a criatividade e coloque em prática o DIY (faça você mesmo).

Revenda

A revenda é uma boa solução. A logística de entrega e retirada de móveis não é tão simples quanto de itens de vestuário, por exemplo. Porém, com organização e planejamento dá para fazer. Plataformas especializadas, como OLX e Enjoei são ótimas.

Garimpe

Decidiu comprar? Garimpe! Priorizar itens usados é mais sustentável. Não apenas isso, estas peças carregam história e, muitas vezes, são também sinônimo de economia. O bolso e o planeta agradecem! Lugares como o Garimpo na Casa e Jardim Velharia são bons para encontrar peças com personalidade. Vale também a visita em feiras de rua na sua cidade.

Pense e repense a compra

Ok, você decidiu comprar uma peça nova. Controle os impulsos e faça a compra consciente. Procure conhecer melhor a marca de interesse e sua cadeia de produção. Pesquisa sobre a origem da matéria – prima e todos os profissionais envolvidos nos processos.

Tendências de arquitetura, design e decoração ocorrem com frequência e mudam com rapidez. Assim como acontece na indústria da moda, de tempos em tempos temos peças da vez. O consumo consciente se faz necessário em qualquer ato de compra. Analise a sua necessidade, personalidade e estilo, para assim adquirir produtos de qualidade e feitos com responsabilidade.

Fonte: João Rodolfo - SIGNALS